Star Trek: Discovery chega à Netflix encerrando o hiato de 12 anos sem seriados do universo trekker. Os episódios “The Vulcan Hello” e “Battle at the Binary Stars” estão disponíveis e criam espaço para resoluções bombásticas e imprevisíveis, servindo também como base para o que esperar da série e suas possíveis ramificações em outros elementos da história do universo trekker, além das novidades que este material traz para a franquia de Jornada nas Estrelas.

Com capítulos semanais, a coprodução com o canal CBS, se passa cem anos depois de Star Trek: Enterprise e 10 anos antes da Série Clássica, apresentando como personagem principal a comandante Michael Burnham (Sonequa Martin-Green), uma humana criada entre vulcanos – especificamente Sarek, o pai de Spock – desde que sua família foi morta em um ataque dos Klingons. A bordo da USS Shenzhou, nave comandada pela capitã Philippa Georgiou (Michelle Yeoh), a primeira-oficial e toda sua tripulação precisam lidar com uma provável artimanha do mesmo povo que matou seus pais, o que faz com que Burnham precise lidar mais uma vez com o eterno confronto entre emoção e racionalidade para impedir um conflito aberto entre a Federação dos Planetas Unidos e os seus rivais.

Uma protagonista diferente dos demais

A comandante Michael Burnham não é a primeira mulher protagonista de um seriado trekker (tivemos a Capitã Janeway em Star Trek: Voyager) e muito menos é o primeiro personagem negro de destaque na franquia (título que vale ao comandante Sisko, em Deep Space Nine). Entretanto, uma primeira análise nos dois episódios iniciais de Discovery já alertam que a personagem de Sonequa Martin-Green é diferente de todos os outros protagonistas.

Ao contrário do que acontecia anteriormente, o psicológico e as motivações de Burnham foram os motores principais das narrativas apresentadas. Com uma extensa análise sobre a sua posição de “uma estranha em dois mundos” e as escolhas durante a história, tivemos um perfil solidificado e que não deu muito espaço para os outros personagens se desenvolvessem (ou sequer atiçarem a curiosidade do espectador). Nem mesmo o alienígena Saru (Doug Jones) desperta alguma curiosidade além da sua aparência exótica e o mais próximo de alguma intensidade narrativa cabe ao impiedoso T’Kuvma, líder Klingon (Chris Obi), mas ainda assim não chega perto de toda a construção na qual Burnham é apresentada.

É verdade que ainda é cedo avaliar toda a temporada em apenas dois episódios, porém, nem Sisko e Janeway, dentro de todo o seu aspecto mais humanos, foram “tão protagonistas” em suas estreias quanto a comandante da Shenzhou, que, dentro de suas limitações e dúvidas, se mostra bem mais próxima do público.


Tripulação da USS Discovery. Da esquerda para direita: Oficial Saru, Comandante Michael Burnham e Capitã Philippa Georgiou

A exaltação dos Klingons e sua reformulação visual

Um dos povos mais importantes do universo trekker, os Klingons seguem em um ciclo evolutivo de representação na franquia. Se nos anos 60 tínhamos humanos com bigodes e feições que lembravam os mongóis, passando pela testa encouraçada e comportamento ao melhor estilo viking nos filmes e seriados posteriores, temos agora seres que mantêm as características de suas encarnações posteriores e têm uma aparência menos humana.

Em sua nova caracterização, os Klingons lembram muito as mudanças de visual já ocorridas no filme Star Trek: Além da Escuridão, mas com uma apresentação mais diversificada entre as casas e os próprios personagens envolvidos em Discovery. Do ponto de vista cultural, temos a adição de um importante capítulo para entender a estrutura social e política do Império.

O que dá realmente para dizer neste primeiro vislumbre é de que os Klingons foram mostrados de maneira única e seguem tão incríveis quanto as suas versões anteriores.

Possíveis referências e participações em Discovery

Em um dos trailers, temos a participação do comerciante Mudd – personagem de um dos episódios da série clássica – em um diálogo com a comandante Burnham. Então fica a pergunta: será que teremos mais referências e participações que remetem ao seriado dos anos 60?

Vale recordar que Discovery se passa 10 anos antes do capitão Kirk comandar a Enterprise. Mas isso não quer dizer que a clássica nave já não esteja vagando pelo espaço. Como se passa na cronologia original (que não inclui os filmes mais novos), a USS Enterprise já está na ativa e vem sendo comandada pelo Capitão Pike, antecessor de Kirk, e com um jovem Spock em sua tripulação. Provas disso estão no episódio duplo “The Menagerie”, no qual conhecemos uma missão importante para Pike no ano de 2254, dois anos antes dos acontecimentos de Discovery. Falando em Enterprise, outro que pode dar as caras é o Comodoro Robert April, comandante original da nave e antecessor de Pike.

E isso tudo é apenas uma prévia…

Sem contar spoilers, mas quem já assistiu aos dois primeiros episódios de Discovery sabe que muitas coisas acontecem, principalmente com alguns personagens que parecem ser importantes para a trama. Sendo assim, imagina só se tudo isso for uma prévia do que virá?

Em entrevista ao programa After Trek, o escritor e produtor Aaron Harberts explicou que os dois primeiros capítulos ainda são um prólogo da verdadeira série, que tem o seu “piloto” mesmo no episódio 3, “Context is for Kings”, que finalmente ira mostrar a USS Discovery.

O que esperar do próximo capitulo? O que teremos entre Klingons e humanos após os fatos ocorridos no segundo episódio? O Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs) fará sua primeira aparição? Se Star Trek: Discovery esperava prender o espectador a cada semana, eles realmente conseguiram…

Star Trek: Discovery tem um novo episódio toda segunda-feira na Netflix.